O escambo e o valor das coisas

O escambo e o valor das coisas

O escambo e o valor das coisas, ou…

Porque nossas escolhas financeiras poderiam ser melhores

Há alguns meses atrás questionei em um texto se o dinheiro seria somente um pedaço de papel ou algo mais. Hoje volto a mesma pergunta para desenvolver um novo raciocínio a partir da mesma questão.

Sob o ponto de vista da História da Economia, o dinheiro surgiu com a intenção de facilitar as trocas do dia-a-dia. Ao invés de negociar por escambo – trocar 2 cabeças de gado por 30 sacas de trigo e depois trocar 20 sacas de trigo por 4 kg de especiarias – nossos antepassados descobriram que seria mais prático estabelecer uma moeda de referência.

Falar a mesma língua deixou as trocas mais ágeis. Sem isso, você não estaria nesse momento na frente de uma tecnologia moderna que te conecta a uma rede onde você lê um texto.

Mas vamos supor que fosse possível e que hoje em dia ainda fizéssemos as nossas trocas sem dinheiro.

Você trabalha em uma loja de roupas e recebe o seu salário em camisetas. Sai do serviço e descobre que o smartphone que quer comprar pode ser adquirido por 60 camisetas a vista. Ou parcelado em 8 entregas de 10 camisetas.

É estranho e bem pouco prático, mas tem uma vantagem: a de escancarar o valor das coisas que estamos trocando.

A psicologia econômica nos apresenta um conceito chamado de reversões de preferência. Ele mostra que em avaliações isoladas, nossas escolhas financeiras podem ser diferentes das que faríamos se tivéssemos um olhar geral sobre elas.

Você pode achar que R$ 50,00 e R$ 3.000,00 são preços aceitáveis para uma camiseta e um smartphone. Mas talvez quando leu que um smartphone valia 60 camisetas tenha achado estranho. Isso acontece porque as nossas preferências costumam ser confusas se comparamos tipos de produto diferentes. Se estivéssemos comparando camisetas com meias, a escolha teria mais chances de ser coerente.

Acontece que na vida temos que escolher entre meias e notebooks. Entre viagens e apartamentos. Entre carros e cursos de inglês. Entre aula de violão e restaurantes. E não somos tão bons assim em fazer essas escolhas.

A economia tradicional pressupõe que dentro da nossa renda sempre conseguiremos levar ao máximo o que se chama de utilidade esperada.  Isso não é verdade  – e quando escrevo aqui chega até a soar como uma piada.

Na maioria das vezes, como seres humanos, simplesmente consumimos do jeito que estamos acostumados a fazer. Sem notar o quanto fazer algumas mudanças pode nos trazer benefícios.

Dependendo da sua realidade, comprar um smartphone de 3 mil reais talvez te pareça razoável. Mas se você calcular quantos finais de semana poderia ter viajado durante o ano com esse dinheiro pode ser que não fizesse a mesma decisão.Ou se comparar também os custos do seu carro com o smartphone e as viagens talvez escolha um veículo mais barato.

O problema é que colocamos cada um desses itens em caixinhas diferentes. Quando na verdade todos eles demandam dinheiro da mesma carteira.

Isso não quer dizer que você deve virar todas suas escolhas do avesso. Mas mesmo que se mantenha tudo igual, esse tipo de exercício ajuda a desenvolver a nossa consciência financeira.

Consciência significa estar ciente, portanto o que ela pede é apenas que a gente saiba e absorva.  Aí sim poderemos responder qual é o consumo que representa de fato as nossas preferências.

1 repostas em "O escambo e o valor das coisas"

  1. Tenho interesse em trocar algumas coisas

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