Imóveis são como futebol

Imóveis são como futebol

 

Outro dia vi um post no Facebook que mostrava um morador de rua abraçado com seu cachorro e tinha abaixo a legenda “tem gente que mora no abraço de um amigo”.

Na hora, me lembrei por contraste de uma conversa que tive com um amigo no começo do ano. Comentávamos o tanto que algumas pessoas que dispõem de apartamentos com áreas enormes de lazer não conseguem aproveitá-las sequer por uma hora por dia.

É claro que eu não quero sugerir que morar na rua é melhor do que morar em um condomínio de luxo, mas a partir dessas ideias me levei a refletir e resolvi escrever aqui sobre moradia, alugar e comprar casa.

Uma das decisões das mais importantes para uma pessoa é a que ela faz em relação a moradia. Na verdade, escolher um imóvel valeria muito mais que um texto dentro de um blog. É incrível o espaço que o assunto da casa própria ocupa no imaginário e no desejo popular.  Morar é uma parte essencial das nossas vidas porque é buscar o conforto de um lar que nos acolha.

E esse lar pode ser de várias maneiras.

Pode ser ter um canto para chamar de seu; pode ser optar pelo aluguel;

Perto ou longe do trabalho; perto ou longe da família;

Morar com alguém; morar sozinho;

Morar com conforto; com simplicidade; com luxo;

Em um bairro residencial ou mais comercial; Em um bairro isolado ou central;

Pode ser apartamento ou casa; Espaço grande ou reduzido;

Pode ser fixar moradia; descobrir-se nômade;

E pode ser muitas coisas mais.

Então já que o lar pode significar tanta coisa, acredito que a primeira pergunta que deve ser feita ao falar de imóveis é:

O que é morar para você?

Se quiser pare de ler por aqui. Acho que já teria bastante reflexão a fazer sobre escolher um imóvel. Mas vou continuar abaixo com uma pincelada básica a respeito do imóvel como um bem. Afinal, para que tenhamos escolhas conscientes vamos precisar também da perspectiva financeira.

 

Se continuou a leitura, te peço então para fingir que está lendo um segundo texto daqui para baixo.

Vou destacar duas características do imóvel como patrimônio. Ele pode gerar renda com algum aluguel recebido por conta do seu valor atual e pode também se valorizar ou desvalorizar.

Pense que você precisa escolher um imóvel entre as seguintes alternativas: comprar um apartamento de 200 metros ou dois de 100, dos quais um seria para morar e o outro para alugar para alguém.

Se você optar pelo de 200 metros vai escolher um imóvel mais caro e acredito que sabe que está abrindo mão da renda em aluguel que os outros 100 metros poderiam gerar. Pode parecer uma questão banal, mas na hora de tomar esse tipo de decisão é muito comum que a gente não leve esse tipo de coisa simples em conta.

A respeito da valorização a discussão é bem mais complexa do que pode caber nesse texto. No Brasil estamos acostumados a imóveis que historicamente se valorizam. Existe essa crença cultural de que os imóveis vão sempre se valorizar acima da inflação. Imóvel é como futebol, todo mundo é como técnico e tem algo a dizer sobre.

Mas é difícil entrar nessa discussão com uma bola de cristal e responder se chegou o fim da festa ou se a restrição de espaço vai levar a uma valorização acima da média mais dia ou menos dia.

O que sim se pode dizer é que o imóvel não é um investimento sem risco e por isso deve ser considerado dentro do patrimônio como um todo quando avaliamos o risco de uma carteira de investimentos e sua diversificação. Para os financiados os mesmos raciocínios são validos. Quando você financia um imóvel você contrai uma dívida, mas ele também passa a fazer parte do seu patrimônio.

Na verdade, uma discussão sobre imóveis e finanças poderia ir longe e ser tema para bem mais do que um texto. Quitar ou manter o financiamento, comprar na planta ou entregue, riscos cobertos por seguros, impostos, etc.

Só que acho que é exatamente por isso que precisamos tomar cuidado para não perder de vista a reflexão mais importante para quem vai escolher um imóvel. Buscar a consciência do que se procura como moradia.

Não priorizar esse exercício seria como planejar uma festa de casamento inteira antes de sequer estar em um relacionamento; ou como contratar para a sua equipe o Messi e o Neymar sem sequer saber se o jogo é de futebol ou de basquete.

10 de julho de 2017

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