Reflexões sobre o que é dinheiro

Reflexões sobre o que é dinheiro ou…

Dinheiro é só mesmo um pedaço de papel?

Já faz parte da nossa rotina ouvir alguém que sofre por causa das suas finanças se referir ao quanto somos loucos por valorizar tanto um pedaço de papel.  É uma reclamação compreensível.

Mas no texto de hoje não vou refletir sobre ela diretamente e sim sobre ‘o que é dinheiro’. Uma nota de papel, um pedaço de metal, uma combinação de dígitos na tela, ou alguma outra coisa.

Começo a partir de uma situação que na verdade é fictícia mas bem comum. Vou supor que você faz algum tipo de curso de esporte, línguas, música ou de outra coisa. No exemplo aqui, você vai fazer aula de inglês duas vezes por semana e gasta com isso 400 reais. Faz parte do seu orçamento mensal contar que da renda que tem, 400 vão para as aulas de inglês. Acontece que no mês de maio o seu professor vai ter que se ausentar e vão te sobrar 400 reais.

O que vai fazer com esse dinheiro?

Uma das diversas definições que se tem para o consumo é a de que ele é o destino daquilo que sobra.

Eu gosto dessa definição porque “aquilo que sobra” pode ser entendido para além das “notas de papel que nos sobram”. Assim, podemos refletir sobre o que é dinheiro a partir da ideia das “energias que nos sobram”.

No nosso exemplo, no mês de maio as suas energias não vão estar direcionadas ao seu curso de inglês.  Por isso, vão precisar de algum destino – mesmo que esse destino seja nenhum.

Saindo do exemplo, é possível enxergar todo o nosso consumo de supérfluos como o destino do que sobra. Sob essa perspectiva, se perguntar o que fazer com o seu dinheiro é também se questionar sobre o que fazer com sua própria energia de vida.  E o interessante aqui é ver como cada um se comporta de uma maneira diferente.

Vamos por um instante reduzir o questionamento feito para as opções de gastar dinheiro ou economizar dinheiro. Entre as diversas respostas que cada um dá para a questão, podemos encontrar exemplos extremos de gente que retém demais suas energias e chega ao ponto de explodir, assim como outras que gastam toda sua energia e esquecem que vão precisar de forças amanhã.

Na verdade quando se fala em cesta de consumo, nem sempre vai ser necessário puxar um cabo de guerra entre consumir e controlar. As vezes a reflexão pode incluir gastar menos em algum lugar, para gastar mais em outros. E levar em consideração uma resposta sincera sobre o que realmente vai te proporcionar mais bem estar.

Quando não fazemos essa reflexão é comum que direcionemos nosso dinheiro para coisas que não são as que realmente precisamos, queremos ou sonhamos. Exemplos comuns são: 1) gastar muito dinheiro em um carro enquanto se sonha em ter a casa própria; 2) se achar sem dinheiro (ou energia) para investir em um hobby novo enquanto paga mensalidade em uma academia que não frequenta; 3) economizar demais para aproveitar um futuro que nunca chega; e por ai vai.

Confesso que não consegui evitar que os exemplos acima refletissem um juízo de valor meu. Mas esse tipo de resposta tem que ser muito particular e nem sempre é fácil de ser encontrada.  A sua resposta é pessoal. Passa pelo autoconhecimento e por se questionar o que é importante para você e para aqueles que compartilham da mesma renda (casal e dependentes).

Dinheiro não é só um pedaço de papel. Ele é a expressão das suas possibilidades e escolhas. Se as condições permitirem e ele estiver trabalhando a favor dos seus sonhos, toda decisão é válida. Você pode acelerar o seu aprendizado com três aulas de inglês por semana, descobrir que prefere aprender sendo autodidata ou até optar pelo abandono das aulas que faz hoje e investir no aprendizado do alemão, do espanhol, de uma língua indígena, do ioruba ou do latim.

10 de julho de 2017

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