Educação financeira e RH

Para a revista GESTÃO RH

Educação financeira é assunto do RH e da empresa?

A educação financeira dentro do escopo de benefícios, treinamentos e desenvolvimento é discutida ainda de forma tímida no Brasil. Muitas empresas flertam com o tema, mas seguram iniciativas na área por não se tratar de core business. Outras consideram que a forma como o colaborador lida com as suas finanças pessoais simplesmente não é problema da organização.

Apesar de enxergar por outro ângulo, não digo que estes argumentos estão completamente errados. Por isso, proponho uma abordagem sóbria sobre a questão.

Vivemos em um país de cultura imediatista. Talvez por suas raízes coloniais e por seu histórico de hiperinflação,  que dificultava o planejamento das famílias. No bolso, o resultado disso é um nível muito baixo de poupança e percentual altíssimo de pessoas endividadas.

O grande agravante, no Brasil, é o custo dessa dívida. Uma pessoa que começa o ano devendo o valor de 1 salário no cheque especial pode terminá-lo devendo 4 salários somente pela aplicação de juros. Isso se mantiver as demais despesas dentro do que ganha. Dessa forma, em dois anos essa dívida subiria para 15 salários.

Costumo provocar dizendo que uma pessoa nessa situação está trabalhando 4 ou 15 vezes mais para obter a mesma coisa. Sem mencionar o que se paga em termos de capacidade psíquica.

Além da situação envolvendo dívidas, outro cenário comum é o do indivíduo que tem sequentes aumentos salariais, mas consome sempre a totalidade dos seus recursos. Ele continua sem capacidade de poupança e com a constante sensação de que lhe falta renda.

Por essas e outras, na Lab do Valor acredita-se que a educação financeira, quando conduzida com seriedade e sobriedade, pode exercer papel importante nas organizações. Produtividade, valorização do que se ganha, salubridade e até a imagem da organização são consequências de naturalizar esse assunto.

Mas ainda restam perguntas. Não seria invasivo tratar com o colaborador sobre o que é de âmbito pessoal?

É possível traçar um paralelo com o conceito de paternalismo libertário, que vem ganhando espaço depois da crise dos créditos subprime em 2008. Trata-se de reconhecer as limitações da nossa racionalidade e dar pequenos empurrões para que as pessoas tomem decisões que lhes sejam benéficas no longo prazo. Sem deixar de respeitar as liberdades de cada um.

O investimento em treinamentos e desenvolvimento em educação financeira entram nessa linha de raciocínio. Um empurrão, com sobriedade e sem excessos ou promessas milagrosas, que pode levar o colaborador a escolher melhor para si mesmo e para a organização. Se não meditarmos a respeito do uso dos nossos recursos, podemos ter o infinito e ainda assim não alcançar satisfação alguma.

 

Jaques Cohen é diretor e fundador da Lab do Valor. A empresa trabalha com educação financeira nas organizações através de treinamentos presenciais e a distância.

E-mail:contato@labdovalor.com.br

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