Aversão à perda e suas consequências

Aversão à perda e suas consequências

Aversão à perda e suas consequências

 

Aversão à perda é um dos vieses mais enfatizados na área da Psicologia Econômica.

Resumindo, estudos da área mostraram que, em média, a dor da perda é equivalente a duas vezes o prazer do ganho.

Acredito que cada ser humano é único e que nossas dores não são exatamente quantitativas, mas estudar o conceito vale como um bom norte.

A aversão à perda tem raízes biológicas e primitivas.

O corpo precisa se defender, reter calor e substâncias; animais precisam defender seu território.

Mas algumas vezes, esse arraigado impulso atrapalha a tomada de decisão.

Abaixo, 3 exemplos.

 

  1. Realização de perdas

“Fiz no passado uma escolha sob incerteza e ela mostrou não dar resultados”

Como o viés atua: A aversão à perda atrapalha a percepção na hora de sair do investimento, desistir de um projeto ou tomar outro rumo. Em seu extremo, pode fazer com que eu coloque mais recursos em algum projeto mesmo que eu já tenha condições de avalia-lo como ruim.

 

  1. Enquadramento estreito

“Quando você toma várias decisões isoladas”

Como o viés atua:

Vamos dizer que gerentes de várias filiais de uma marca precisam decidir em uma situação de risco. A aversão à perda os leva na direção de tomar menos risco.

Mas podem existir casos em que, se todos os gerentes assumissem algum risco, a perda de alguns seria compensada pelos ganhos de outros. Ou seja, para a empresa o risco não era tão grande; para os gerentes era.

Como a decisão não será tomada de forma ampla (nível organizacional), mas sim de forma estreita (nível gerencial), a empresa não estará tirando o máximo que pode do projeto.

Isso vale também para investimentos pessoais.

Por exemplo, se avaliarmos a performance dos nossos investimentos com uma frequência excessiva, a aversão à perda pode fazer com que não tenhamos capacidade de lidar com pequenas oscilações, mesmo quando elas fazem parte da característica do investimento.

Aqui também se contrapõem enquadramento amplo (em um tempo maior) e enquadramento estreito (frequência excessiva). Cuidado porém para ir ao outro extremo e usar a aversão à perda como desculpa para deixar de acompanhar os seus investimentos.

 

  1. Status quo

“Inércia, preservação…”

Como o viés atua:

O organismo (empresa ou pessoa) mantém seu estado atual, mesmo quando alterá-lo possa lhe trazer mais valia.

Isso acontece porque a percepção do estado atual é mais tangível e menos abstrata, então existe uma aversão a perdê-lo.

São as conhecidas zonas de conforto, que fazem pessoas e empresas estacionarem no ponto.

 

Espero que os conceitos tenham ficados claros e didáticos.

É importante lembrar que a aversão à perda é um viés entre muitos.

Debatê-la ajuda a aguçar nossa percepção; mas não nos transforma em robôs imunes a fragilidades ou a este e outros vieses.

11 de outubro de 2017

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