Afeto, finanças do autônomo e profissionais de serviços

Afeto, finanças do autônomo e profissionais de serviços

Depois de escrever sobre renda complementar por aqui, sugeri uma breve pesquisa. Ela mostrou que cerca de 60% dos leitores já pensaram em alguma alternativa de renda extra mas não chegaram a colocar em prática. Número que conversa bastante com a dificuldade que temos em ver nossas habilidades como objeto de troca.

Hoje vou relacionar isso especificamente à necessidade de se trabalhar com acolhimento e afeto. Muito comum dentro da rotina de autônomos e profissionais de serviços.

Por exemplo, médicos, enfermeiros e cuidadores. São profissionais que normalmente serão melhores no que fazem se trabalharem com responsabilidade, acolhimento e afeto.

Outro exemplo são os profissionais das áreas de fisioterapia e educação física. Eles provavelmente só engajarão os seus alunos se trabalharem com empatia.

Só que responsabilidade, empatia e afeto são coisas mais abstratas. E quando é assim a dificuldade em enxergar nossas habilidades como objeto de troca costuma ficar maior.

Vamos supor um psicólogo recém-formado, que provavelmente já emprestou seus ouvidos a muita gente em seu círculo de amigos. Ele nunca cobrou por isso e sente estranheza quando precisa cobrar para ouvir alguém.  Mas, cedo ou tarde, como autônomo vai ter que aprender a lidar com essa estranheza.

A boa notícia é que existem estudos que mostram que a experiência ajuda a quebrar essa barreira.

Mas não precisamos desses estudos. Vou te levar aqui para uma viagem a Turquia com parada na feira do Grand Bazar, uma espécie de Rua 25 de março de Istambul.

Nos primeiros 15 minutos você vai se sentir perdido com tanta gente te oferecendo coisas e negociando descontos. Mas se você voltar no dia seguinte vai perceber que voltou com mais gingado para o comercio. E se continuar frequentando estará cada vez mais familiarizado com o lugar.

A experiência é a questão chave aqui. Se até comerciantes em um novo mercado sentem uma insegurança inicial, dá para entender que as finanças do autônomo e dos profissionais de serviços gerem conflitos.

É natural que exista dificuldade em dar valor e preço ao seu trabalho. Mas essa dificuldade precisa ser encarada, tanto para o bem do profissional, quanto para o de seus clientes.

É claro que é preciso cuidado com esse raciocínio já que não estamos falando de mercantilizar todas as relações humanas nem de exigir pagamentos onde não existam ganhos mútuos.

Mas a economia é a arte da troca, então faz parte de qualquer profissão precificar o que se oferece. E não há nada de errado nisso. A experiência ajuda a enraizar melhor essa ideia.

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