Crise, crise, crise…

Crise, crise, crise…

Crise e finanças pessoais

Crise, crise, crise…

Não existe outro assunto. O assunto é crise. Você acorda e dá bom dia para o porteiro quase pronto para ouvir sobre crise; vai almoçar e o assunto da mesa do lado é crise; se janta com a TV ligada, crise; e quando abre a conta bancária a realidade insiste em não colaborar.

Ok eu me rendo, vou escrever sobre crise e finanças pessoais.

Os efeitos que um período como o que passamos tem no nosso emocional são muitos.  Só de ler quantas vezes escrevi a palavra crise ali em cima eu mesmo senti um mal-estar. Mas nem só de palavras é feito o problema. O que está diante de nós é a combinação: inflação mais alta que o dobro da meta + Retração da economia.

Talvez a noção mais básica da Economia seja a relação entre juros e inflação. Em condições normais, juros altos colocam freio no consumo para os preços pararem de crescer tanto. Mas isso não tem funcionado já que nem o orçamento do pais e nem o câmbio tem colaborado.

Outro dia vi um post do tipo autoajuda que dizia algo como “ouvimos falar sobre a crise, mas nossa empresa decidiu não participar”. Entendo e também simpatizo com a perspectiva motivacional da mensagem; mas querendo ou não o ambiente está menos propicio para a maioria dos negócios.

Se existe quem fuja e ignore essa realidade, na outra ponta sempre vai haver quem coloque uma lupa em tudo e é tomado pelo desespero.  Só que para além da fuga e do desespero, o momento de recessão pode ser também a hora de refletir e se reinventar.

Por isso, escolhi falar de um tema que é chamado na Psicologia Econômica de Ilusões de Foco.

O raciocínio é simples. Nossa capacidade de avaliar a realidade em 360 graus é limitada. Quando olhamos para algo a coisa tende a ganhar proporção maior do que realmente tem.

Não é por acaso que a mídia que posto junto com esse texto é um vídeo com a canção Dust in the Wind. Cada um de nós é tão pequeno em relação ao universo que pode ser comparado com a poeira em meio ao vento.

Falar em Ilusões de Foco é usar a mesma lógica para olhar os nossos pensamentos.

“Nada na vida é tão importante quanto você pensa que é quando está pensando a respeito”  (Daniel Kahneman)

O bebe vai ao paraíso quando mama no seio da mãe. E não existem preocupações nesse paraíso. Assim como em uma bolha de crédito não se acredita que o calote pode ser muito alto ou como em um período grande sem grandes guerras no ocidente esquecemos de onde vem as nossas atuais fronteiras.

Mas quando falta o leite e o colo materno o bebe chora. O instinto de sobrevivência fala mais alto e ele não consegue ponderar que se trata de um momento. Então ele não se contém e o choro é desesperado. Quem foi economicamente ativo nos anos oitenta deve ter desacreditado, não sem ter boas razões, na possibilidade de uma moeda estável no Brasil.

Mas vamos aos dias de hoje. Estar insatisfeito com a recessão na economia e entender que a saída dela não vai ser nada fácil não é coisa de bebe chorão. Não é isso que estou tentando dizer.

A conclusão que quero sugerir é a de fazer o movimento de sair do enrosco e olhar para o todo em perspectiva, afastando o zoom. E é complicado avaliar se o zoom afastado nos diz que estamos pessimistas demais ou pessimistas de menos. Portanto, a ideia não é procurar por verdades absolutas e sim aproveitar o momento para se reinventar e aprender a lidar com as incertezas.

Ninguém é imune à Ilusões de Foco. Você quando leu meu texto deve ter percebido algumas que do lugar que estou não consigo enxergar. Talvez meu foco esteja distorcido por eu ser de uma geração que não conhece na pele a hiperinflação ou a ditadura. Mais ainda: É bem provável que as maiores ilusões sejam aquelas que eu nem consigo cogitar.

Sendo assim, agradeço a leitura.

E que sigamos iludidos e nos reinventemos!

“Somos cegos para a nossa própria cegueira” (Daniel Kahneman)

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